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Movedores
participantes: envie-nos
o seu testemunho.
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TESTEMUNHOS:
Do
peito à garganta, neste momento, formigamento, vibração.
Acúmulo de muita troca, muito movimento, muita brincadeira
durante 4 horas sem parar. Agora o borbulhar no peito. A difícil
tarefa de tentar expressar em palavras a experiência inenarrável.
Como explicar a troca? Como explicar um olhar? Uma respiração?
Um toque? Uma pausa? Como explicar a auto permissão?
O que sinto mais forte depois dessa Roda Viva é a questão
do julgamento. O julgamento coloca tudo em risco. Alimentá-lo
pode estragar toda a brincadeira. Infinitas possibilidades são
descartadas quando nos fixamos num determinado ponto de vista. Um
segundo depois tudo está mudado. Impermanencia.
A
experiência da Roda me proporcionou 4 horas de exercício
de soltura, de auto permissão, de contato comigo mesma e
com o outro. Horas de atentividade intensa. Enraizamento no aqui
e agora. Presença. Corpo e mente unidos para experimentar,
mover, observar, parar, sentir, escolher.
Essa prática é coletiva. Que delícia! Ao me
permitir, permito ao outro se permitir também. Como é
fácil sentir e perceber a unidade dos seres humanos. Corpos
que se comunicam numa outra linguagem. A linguagem do movimento,
do toque, do apoio, do nível alto, médio e baixo.
Linguagem da respiração, da escuta interna, da escuta
externa. Linguagem que acessa a alma. A alma da criança eterna
que fica durante tanto tempo afogada, espremida, sufocada com tantos
julgamentos que são gerados pela falta de comunicação,
pela falta de contato. Pela falta de pausa. Pela falta de um instante
em silêncio, aquele espaço que pode permitir a alma
criança sorrir, se revelar.
Num determinado momento da Roda vi Soraia executar um gesto. Aquela
expressão me chamou para dentro da Roda. Meu corpo quis ser
um gesto também. De olhos fichados. Entrei numa forma e parei.
Aos poucos a forma ia se revelando plástica e contínua.
O gesto fluía para outro gesto guiado por um movimento interno,
uma pulsação de dentro que parecia desprovida de julgamento.
Por um instante esse fantasma quis me sabotar quando entre abri
os olhos. Só que a pulsação interna estava
mais forte e era irresistível. Me entreguei a ela. Me permitir
mover sozinha. Aliás, aquela pulsação era a
soma de tudo que estava sendo movido naquele espaço. Como
é bom sentir o corpo mover sem o comando da mente. É
leveza pura. Até o movimento denso é leve. Opostos
que se complementam no silêncio da auto permissão.
Permissão para a alma falar através do corpo. Instrumento
lindo, tão belo quanto a alma que o sustenta!
Palavras que tentam definir essa experiência: contato, energia,
comunicação, permissão, entrega, ousadia, vibração,
silêncio, olhar, sentir, fluir, sorrir, soltar, ouvir, respeitar,
respirar, o outro, ser humano, luz, auto conhecimento, dança,
corpo, liberdade, criança, brincadeira, alma, infinito, interdependência,
escuta, ausência de tempo, espaço, chão, suporte,
dinâmicas, alegria, amor, círculo, espiral, para todos
os lados, para um único ponto. Deus.
As palavras limitam. A experiência liberta.
Obrigada!
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Simone Nigri 29/09/2007
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