Retiro 2019 Paraty TESTEMUNHOS

DRICA AYUB

"A cada passo, mergulho mais profundamente. Sinto meu corpo expandir e contrair numa pulsação constante. O desconhecido se abre a minha frente e sinto o campo que me contorna e assim sinto confiança no mergulho do abismo.  Adentro camadas desconhecidas e até daquilo que suponho nunca conhecer e ainda ser impossível conhecer. Me descamo, me desarmo e me desamarro de medos para outros medos surgirem ao meu redor. Um processo de abertura e atenção constante, me sinto mais encarnada e mais "almada" nessa prática que transcende as bordas visíveis da existência". 

ISABEL QUENTAL
 

1- UM COLO PARA A VOVÓ BEBEL

Deitada me alongo, sinto o chão, dobro os joelhos, pernas encolhidas em concha. Faço um balanço corporal. Com este gesto tenho a sensação de dar um colo para mim. Entro em contato com a gratidão por mim e por minha jornada de 68 anos bem vividos.  

2- VIVER A VIDA

Alongo o corpo, deito no chao, movo o corpo e vou rolando com o corpo.  Sinto a força e alegria de viver. Lembro dos netos, filhos, meu companheiro, dos amigos e das alegrias da minha vida. 

3- PRAZER E ALIVIO

Alongo o corpo, deito no chão e começo a massagear o coro cabeludo com carinho e vigor. Sinto a minha presença no espaço do retiro. Ouço os sons internos e externos. Penso nas dores e tristezas vividas mais recentemente. Intensifico a massagem. Sinto prazer e alivio do desconforto corporal e das tristezas.

 

4- A FORÇA DO TESTEMUNHO

Ao ouvir o testemunho dos outros movedores, sobre os meus gestos. Fui movida intensamente. Senti muita força e potência. Neste momento surgiu a pergunta que sempre me faço, quando chego ao M.A. O que estou fazendo aqui?.  Consegui responder esta questão, com o testemunho de todos os movedores. Desta forma entrei em contato com a minha busca no M.A. e no ciclo da minha vida.

O testemunho me deu pertencimento e acolhimento.
Saí muito agradecida!!!
"GRACIAS A LA VIDA, QUE ME HA DADO TANTO". 

BÁRBARA SANTOS (1)

" Eu sou movedora que testemunho a sensação de que me dobrar é preciso. Me curvar faz articular minha rigidez. Às vezes esse movimento dói, mas me re-organiza."
 

" Eu sou testemunha que, ao contemplar o movimento lento de uma movedora que sustenta pausas longas e serenas sinto que o tempo de espera pode ser bom e me sinto mais forte e serena para sustentar minhas pausas sem sofrimento, observando a situação com a quietude e sabedoria necessárias para atravessá-las. Sem sofrimento."

BÁRBARA SANTOS (2)

Eu testemunho minha inabilidade para lidar com as partidas.

Me sinto frágil, impotente e pequena.

Não sei o que fazer.

Deságuo. Deságuo, me encharco.

E na água sigo olhando para minha dificuldade de me sentir vulnerável.

Gosto de sentir o vento atravessando o meu corpo sempre que o búfalo que habita em mim rasga o espaço com sua cabeça para baixo e os chifres para frente.

Me sinto forte quando búfalo.

Me testemunho todo corpo: a nuca apertada, o nariz entupido, o nó na garganta, meu rosto molhado e minha vista turva.

Por que acordo e o mundo gira quando estou parada?

Há tanto movimento em mim que me co-movo sem parar.

Me sinto revirando pelo avesso.

Quanto tempo vou precisar para colocar tudo no eixo?

Onde está meu eixo?

Há um redemoinho em mim que pulsa, vibra e me desatina.

Eu roubei uma licença poética de pegar minha tristeza e sair rodopiando.

Não precisei fazer nada! O rodopio se alojou em mim.

Me reconecto com minha profunda tristeza com as partidas.

Uma amiga se foi. Meu filho num presente contínuo.

Às vezes penso que desconfio da fé no movimento cíclico da vida e isso me enfraquece.

Aprecio as partilhas.

Quero estar junto.

Meu rodopio tem um centro chamado saudade.

Testemunhando outras "testemunhas" da mata-atlântica.
Por Dharma Shala

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