Oferenda ao Movimento Autentico:

 

Vai tornando-se mais claro pra mim que o Movimento Autêntico, em se tratando de uma prática relacional, ganha importância e sentido em minha vida não pela abstração da prática em si, mas pela singularidade que ela ganha ao ser partilhada e praticada com as companheiras e companheiro com quem venho movendo com. É local. 

 

O MA ganha importância em mim pelo o que fazemos junt_s com essa prática. Nós fazemos a prática e ela (a prática) faz coisas conosco por conta do que fazemos com ela, ∞ . Nós fazemos a forma viver: aceitamos a proposição, e com a dedicação das nossas vidas – das vitalidades que nos acontecem – oferendamos, em ato, o movimento, seja ele como for. 

 

Testemunho neste grupo o empenho em se fazer desta prática algo que nos valha, que valha a cada um. Empenho regido por minúcias, ousadias, rebeldias e perseveranças. Empenho comunado ao “não saber” – ao not knowing – o que produz em mim uma experiência de grande radicalidade. A fisicalidade? O frio na barriga de quem está na beira do abismo, sendo que esse abismo surge do meu próprio ventre, minha barriga vibra na altura do umbigo, sinto que é uma região portal, de gerações e mundos.  

 

Muitas vezes conseguimos junt_s (incluindo no junt_s o mistério) produzir uma correnteza outra, que cria outros fluxos. Somos aprendizes de magia. Criamos “coeficientes de liberdade”, gérmens de liberdade que precisam de cuidado e cultivo para poderem ganhar carne, mundo e pernas próprias. “(…) um campo precisa ser semeado, e semear é um trabalho profundo”, é um trabalho sério e que nos desafia. Pelo trabalho de estar aberto e atento, acolher, gestar, germinar, semear, cuidar, cuidar e cuidar, e poder testemunhar o cultivo vingar, produzindo vida livre e forte, somos convocados a fazer dessa prática do Movimento Autêntico – ou fazer de nós mesmos em estado de prática conjunta – uma experiência não trivial.  Que a seriedade da vadiagem-brincante nos acompanhe!

 

Minha oferenda é dedicada às parcerias com as quais partilho essa prática, parcerias que tanto me produzem, que se inscrevem e se alojam em minhas céluas, me impulsionando à alegrias ativas, a uma possível autonomia em meio às correntezas existentes e às gestantes que pedem passagem.

Mariana Avillez

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